terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ENSAYO SOBRE EL TEXTO GLOBALIZACIÓN


Vicerrectorado Académico
Instituto de capacitación Continua
Maestría en Educación






ENSAYO SOBRE EL TEXTO GLOBALIZACIÓN, POLÍTICA EDUCACIONAL Y PEDAGOGÍA CONTRA-HEGEMÓNICA DE ALFONSO CELSO SCOCUGLIA


Mestranda: Elisângela Oliveira Lopes

(INSTITUTO: LEGO CURSOS – TURMA 3)








Junho / 2012
Buenos Aires – Ar



Vicerrectorado Académico
Instituto de capacitación Continua
Maestría en Educación



ENSAYO SOBRE EL TEXTO GLOBALIZACIÓN, POLÍTICA EDUCACIONAL Y PEDAGOGÍA CONTRA-HEGEMÓNICA DE ALFONSO CELSO SCOCUGLIA

Mestranda: Elisângela Oliveira Lopes

(INSTITUTO: LEGO CURSOS – TURMA 3)







Ensaio presentado a los profesores: Manuel Gomes y Guilhermo Garcia de la  Universidad Del Salvador como requisito parcial para la Asignatura Seminário Desarrollo de Políticas y Legislación Educativa.







Junho / 2012
Buenos Aires – Ar

Ensayo personal sobre el texto Globalización, política educacional y pedagogía contra-hegemónica de Alfonso Celso Scocuglia – Revista Iberoamericana de educación. n. 48.

Em um conceito mais simplificado, a globalização veio com a finalidade de diminuir as barreiras geográficas que gerava constrangimentos em relação os processos sociais, econômicos, políticos e culturais, contudo, essa quebra de barreiras ainda está longe de acontecer, em primeiro lugar, estes benefícios não são estendidos a todos, independentes de classe social, religião ou cor. E em vez de aumentar as oportunidades, cresce o desemprego, a violência e a fome.
O processo de globalização sugere a homogeneização de todos os países do mundo, entretanto este pensamento apenas reforça as desigualdades sociais. Pois não deixa de ser um processo violento, desumano que ignora as realidades locais, causando desordens e prejuízos para a maioria das pessoas.
 De fato para a grande maior parte da humanidade a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. O desemprego cresce torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desemprego se generalizam em todos os continentes. (SANTOS, 2000, p. 19)

Para muitos a globalização hegemônica ainda é vista como algo inexorável, reto, inquestionável. Contudo ela favorece apenas uma minoria, e ainda tenta impor um estilo universal de vida. Para esta, existe um fenômeno que a caracteriza muito bem, é o localismo globalizado, um acontecimento local assume a força de conseguir expansão por todo o mundo, por exemplo, a língua inglesa, a expansão da música popular norte-americana. O mais interessante é que não é qualquer local de qualquer nação que receba tamanha aceitação mundial ou que tenha tanta influência ideológica sobre outros povos.
Surge um conceito novo de globalização, a globalização contra-hegenonica. Este novo modelo acredita que o capitalismo global e injusto não aprova a ideia de um sistema que construa a desigualdade social. Neste novo conceito de globalização, pensa-se em primeira instancia no patrimônio comum da humanidade com temas de sentido global como a preservação do meio ambiente, e desenvolve ideias mais cosmopolíticas interagindo na defesa de seus interesses comum. Ao contrario da globalização hegemônica que em primeira instancia defende seus interesses egoístas.
O maior interesse da globalização hegemônica está ligado ao poder econômico, com isso, os outros campos sociais como os costumes a cultura, a religião e especialmente a educação  estão a mercê de um interesse maior que defendem que o estado e a sociedade devem seguir modelos universais e não nacionais.
Diante destas condições, o estado estaria seguindo uma ideologia dominante, se submetendo a outras normas ou culturas. E isso acontece especialmente no âmbito do currículo escolar, sem levar em conta as distinções políticas, culturais e econômicas. A verdade é que os ambitos sociais como a escola, as empresas, estão preocupados a se ajustarem a um padrão econômico de poder. E com isso ajustam o currículo a uma realidade que não é a sua, enquanto deveria atender as necessidades locais, estão ligados a um modelo ocidental único.
Não se pode negar, que para os avanços científicos, a existência de conteúdos de ensino comum mundialmente, se torna indispensável. Contudo, em relação ao currículo escolar, deveria existir uma preocupação maior sobre o assunto. Um olhar mais humano para o seu público, questionamentos sobre como este programa é transmitido nas escolas.  Quais são os profissionais que estão incumbidos para transmitir determinados conteúdos. Quais são os resultados deste processo. 
Se estas e outras questões fossem pontuadas para a elaboração do currículo, seria mais fácil a construção de uma matriz curricular real, que fosse funcional e colaborasse para a formação de um indivíduo mais crítico e consciente dos seus direitos.  Uma vez que as variações culturais nacionais e locais continuam mais marcantes para o aluno que a cultura mundial.
Ainda falando sobre a preocupação com o ensino, aparentemente o governo brasileiro, desenvolve projetos para melhorar a educação, mas verificando melhor algumas ações de reforma governamental, como a privatização crescente das esferas públicas, a municipalização do ensino fundamental, da educação infantil, e da educação de jovens e adultos, simplesmente resulta na minimização do papel social do estado.
Enquanto ao ensino médio que compete ao estado, este não está assumindo o seu dever na formação de um cidadão crítico, ativo, questionador com capacidades para o trabalho em sociedade. Ao contrário, contribui para a formação de uma sociedade alienada, a serviço de uma pequena burguesia.
O professor Paulo Freire, através de uma pedagogia crítica, aponta para os principais problemas educacionais, o analfabetismo, a situação precária das escolas, a falta de um projeto político pedagógico, a educação diferenciada para os pobres e para o rico, a desqualificação do profissional, a educação de alienação e reprodução de interesses. Para o teórico todas estas questões estão no âmbito social e político. Enfim, desta forma a escola torna-se uma máquina de reprodução de apatia, desinteresse, desigualdade e violência.
Freire defende o direito dos oprimidos e questiona o modelo de uma educação bancária. Uma educação baseada na mera transmissão dos conteúdos ao aluno que por sua vez é considerado como alguém que nada sabe. E que jamais teria condições para questionar a realidade posta.
Para uma luta mais eficaz por uma globalização contra-hegemônica na educação. O poder da palavra certamente será uma arma poderosa. Cabe a ousadia ao contrário da omissão e a perseverança no lugar do medo. Para que seus protagonistas prossigam com autonomia e confiante em suas ações e no que ainda poderão fazer.






REFERÊNCIAS:

FREIR, P.

SILVA,







Uma leitura imagética em Vidas Secas



Elisângela Oliveira Lopes
Orientadora: Profª. Me. Maria das Graças Teixeira de Araújo Góes
Universidade Estadual de Santa Cruz


Resumo: Este trabalho desenvolve uma analisa sobre a conscientização das problemáticas sociais, por meio da parceria estabelecida entre a linguagem verbal e a linguagem visual. Para tal, procuraremos demonstrar que a construção de sentido poderá ser constituída através de fotografias, as quais serão comparadas com o romance Vidas Secas de Graciliano Ramos. A metodologia deverá seguir os seguintes procedimentos: 1.pesquisas bibliográficas, em que teóricos fundamentarão a proposta de estabelecer uma  conexão que  envolva  duas  linguagens diferenciadas a verbal e a não verbal 2. Leitura do romance Vidas Secas, buscando refletir sobre o problema da seca que se descamba para o social 3.Pesquisa de imagens fotográficas. 4. Organização seqüencial das fotografias, obedecendo à mesma ordem dos capítulos do livro. O artigo é uma proposta de ensino que contribuirá para a formação de leitores, despertando a sensibilidade e compreensão para outra forma de linguagem, que assim como a verbal, também possui elementos carregados de significados.
Palavras chaves; ensino; leitura; fotografias. 

INTRODUÇÃO
A imagem ocupa seu espaço como linguagem, estando presente em todos os campos comunicativos, ou seja, Nos outdoors, televisão, vitrines, etc., o que comprova a visualidade da sociedade moderna, conforme afirma Tânia Pellegrini: “O que se capta, em primeiro lugar, é um contexto demonstrativo em vez de um contexto verbal” (PELLEGRINI, 2003, p. 16).
No romance Vidas Secas, a imagem e a palavra estão intimamente ligados. As linhas que compõem a narrativa da obra despertam, no leitor, a visualização de todo o cenário, por meio do mecanismo da imaginação. Portanto, ao procurar traduzir a obra através de imagens fotográficas, ele terá recursos para compor o enredo. Dessa forma, se torna possível o vínculo natural entre a fotografia e o romance, conforme demonstraremos no nosso estudo.
 A ordem seqüencial, na qual as fotografias estão expostas, sintetiza os capítulos da obra, sugerindo significados, permitindo uma visão linear e construindo uma intertextualidade com o livro. Nesse sentido, as fotografias permitem uma leitura crítica do principal problema social abordado no romance, a miséria causada pela seca.
A arte da fotografia, por conseguir fazer um recorte de um momento, alcançou o efeito da tentativa de representar a realidade de forma quase fiel, chegando a uma verossimilhança. Vale considerar que cada arte possui suas características próprias, no entanto estão constantemente se relacionando, ao passo que não se pode valorizar uma em detrimento da outra.  Tratando-se da arte fotográfica, ela pode permitir ao leitor um contato visual com seu objeto de estudo. Os elementos presentes nestas imagens, como as cores, o cenário, os objetos e as pessoas, contribuem despertar na mente do receptor uma percepção mais holística de um determinado contexto.
Assim como o romance Vidas Secas, as fotografias, também, apresentam ao leitor as angústias do homem nordestino e as marcas da dor causada pelo descaso social. Sendo assim, a comparação proposta entre a obra de Graciliano Ramos e a imagem fotográfica, mostra outra possibilidade de leitura.

AS VIDAS SECAS DE GRACILIANO RAMOS
Graciliano Ramos nasceu em Alagoas no ano de 1892 e morreu no Rio de Janeiro em 1953. Filho mais velho de um casal de sertanejos e teve quinze irmãos. Passou parte de sua infância entre os estados de Alagoas e Pernambuco. Trabalhou como revisor do jornal Correio da Manhã (1910) e do A Tarde ( 1914 ). Logo após a morte de três de seus irmãos, que foram vítimas da peste bubônica, volta a Palmeira dos Índios (AL), onde se torna prefeito da cidade.
Cresceu presenciando o cenário seco que contribuía para as dificuldades sociais e econômicas dos moradores de sua região. Tais circunstâncias o fizeram acreditar que a vida do ser humano só poderia ser conduzida pela violência.
 Indiferente a certos hábitos sociais, não gostava de ouvir rádio, atender a telefonemas e ouvir músicas; quanto a sua religiosidade nomeava-se ateu. Sertanejo, gostava de fumar e vestir roupas simples; Um homem que tinha várias alcunhas como: Velho Graça, Major Graça, Mestre Graça entre outros. Passava a imagem de uma pessoa rústica e grosseira.
Era crítico a respeito do que escrevia. Sobre o romance Vidas Secas dizia ele: “ (...) história mesquinha, um casal vagabundo, uma cachorra e dois meninos.” ( RAMOS, 1938 apud, PÓLVORA, 2009, p. 3 ) Em outros momentos tecia elogios à sua obra ( sobre o romance São Bernardo ) “Vai sair uma obra prima, em língua de sertanejo, cheia de termos descabelados.”  ( RAMOS, 1935 apud  PÓLVORA,  2009, p.3 ).  Também criticava a literatura brasileira “Literatura brasileira uma ova, que o Brasil nunca teve literatura. Vai ter de hoje em diante.” ( ibidem ) .
Acusado de ser comunista, foi preso no ano de 1936 e, ainda em cativeiro, escreveu Memórias do Cárcere, que trata de um depoimento sobre a realidade do Brasil. Ao sair da prisão em 1937, movido pelas necessidades financeiras, escreve um conto sobre a morte de uma cachorra:

Escrevi um conto sobre a morte duma cachorra, um troço difícil como você vê: procuro adivinhar o que se passa na alma duma cachorra. Será que há alma mesmo em cachorra? Não me importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejaríamos. A diferença é que eu quero que apareçam antes do sono...( RAMOS,  1937  apud  PÓLVORA, 2009)

Em 1938 publica a primeira edição do romance Vidas Secas, que é uma obra composta por um conjunto de contos, inclusive o da cachorrinha Baleia. O romance conta a história de uma família de retirantes que caminha pela caatinga em busca de um canto para viver. Essa família é composta pela cachorra Baleia, que além de ser tratada como gente por todos, é muito amada pelas crianças. Sinha Vitória, mulher de Fabiano, mas que não se conforma com tamanho sofrimento. Fabiano, homem grosso e rústico, vaqueiro que busca um trabalho. Os dois meninos, que são crianças sem carinho e atenção, que vivem em um mundo miserável, sem compreender a realidade que os circundam.
A narrativa é na terceira pessoa.  Sua linguagem é rica em metáforas, seus personagens são comparados a animais e a cachorra Baleia é comparada a gente.  A obra retrata a realidade do sertão brasileiro, não apenas daquela época, mas também dos nossos dias. Em suas páginas está evidente a injustiça social, a pobreza e o descaso com o ser humano, Levando-o a condição desumana de quase animal. 
O autor de Vidas Secas deixa transparecer em seu romance, linhas marcadas pelos conflitos vivenciados pelo homem. Através de um pensamento crítico, suscita as crises sociais de forma realista, já que todo o enredo gira em volta de um problema, a miséria causada pela seca, que se constitui como protagonista principal.
Alguns pontos estão evidentes no romance Vidas Secas: o monólogo dos personagens demonstra que eles vivem em conflito diante das circunstâncias causadas pela seca, gerando dor e sofrimento.  A marca de submissão está evidente em suas páginas, evidenciando-se na relação patrão e empregado, isto se comprova quando Fabiano, orientado por sua esposa, sobre o pagamento injusto que tinha recebido, deixou-se enganar sem nenhum questionamento. E também no momento em que o vaqueiro, depois de ser preso e tomar uma surra mandada pelo soldado amarelo, tem a oportunidade de reagir, contudo, ao se encontrar com este soldado, próximo a sua casa, fica sem reação e deixa o homem ir embora, alegando que “Governo é governo”  (  RAMOS, 2008, p. 107  ).     
É possível perceber a miséria, tanto econômica quanto social no romance, pela rica descrição do seu cenário e personagens. A natureza seca está detalhadamente apresentada; as linhas que falam sobre o clima ensolarado são tão magníficas que torna possível aguçar a percepção do leitor em que diz respeito à sensação da temperatura dos raios solares, que racham a terra e com a mesma intensidade a pele das criaturas humanas. Por outro lado, a desvaloração ao ser humano, também se faz presente em vidas secas, onde é narrada a história de uma família de pobres, sem casa para morar, caminhando sob o sol insuportável do sertão pernambucano e se materializa em situação animalesca.
O romance não trata apenas de um enredo fictício, mas sim da amostragem de um cenário hostil que atinge a alma do ser humano, o elevando a uma condição de desgraça e desespero, fazendo despertar nos personagens um sentimento de exclusão social. Graciliano Ramos consegue mostrar um retrato do sertão nordestino brasileiro, através da linguagem verbal, descrevendo cenários e personagens, possibilita ao leitor visualizar um ambiente com poucas vidas e quase nenhuma expectativa, diante do sol causticante que assola rouba a esperança de seus moradores.
O LEITOR E A LINGUAGEM DAS FOTOGRAFIAS
 O ato da leitura
O ato de ler envolve uma multiplicidade de elementos no campo dos aspectos críticos e interpretativos. Partindo desse pressuposto, é possível concluir que a leitura não deve acontecer de forma sistemática e mecânica, mas por meios de ações que levam o sujeito a compreender o mundo que a antecede.
Esta habilidade requer esforços que trazem à tona um conjunto de saberes, ou seja, não será possível encontrar o verdadeiro sentido de um texto em um primeiro olhar, pois a significação se dá mediante uma relação construída entre o leitor e o texto. Sendo assim, surge a importância de outros elementos que fazem parte do contexto de produção da mensagem.
            Entre esses elementos pode-se considerar (KOCH, 2007 ):
 1. O tipo de mensagem, pois ela pode ser verbal ou não verbal.
 2. O tema tratado, podendo ser ele político, histórico, social entre outros.
 3. O momento de produção, pois a vida possui um movimento dinâmico e contínuo As pessoas mudam juntamente com seus hábitos e pensamentos, e a natureza se transforma a cada momento, pois o ciclo natural da vida é instável, ou seja, o que poderá sugerir um determinado conceito em certo momento histórico-social, em outro momento poderá sugerir outras reflexões.
4. O meio que a mensagem foi vinculada, podendo ser um jornal, um romance, um cartaz, um livro didático etc.
Nesse processo dinâmico, o leitor possui um papel relevante para a construção de sentido, uma vez que a sua recepção não surge de forma automática, pois inúmeros processos cognitivos são aflorados para este fim, como as hipóteses sobre a mensagem lida, a interação que se desenvolve com ela e o conhecimento de mundo que cada sujeito carrega consigo.
A leitura possibilita ao leitor o acesso a várias informações, como também a um conhecimento mais amplo da dimensão cultural que existe a sua volta, para assim poder transformar a realidade posta. Neste sentido, a escola poderá reforçar o seu trabalho com a leitura, acrescentando às suas práticas pedagógicas propostas ricas e inovadoras.

A propósito da escassez de informação, e pensando na atuação das pessoas em setores da vida social e política, poderíamos lembrar – com pesar a condição indefesa de quem não sabe ler, conseqüentemente, de quem apenas dispõe de um corpo de informações restritas à transmissão da oralidade. Por isso a leitura acaba promovendo a inclusão social, acaba sendo uma condição do exercício pleno da cidadania. ( ANTUNES, 2009, p. 194 )

            Ler é uma forma de conhecer o mundo, de refletir sobre os sistemas políticos, históricos e sociais.  É um meio de entender as questões que dinamiza a vida das pessoas e além de tudo, proporcionar ao leitor a compreensão de que ele faz parte de toda ação que move a humanidade. 
Para uma leitura eficiente, a escola deverá criar condições, que propicie a seus alunos habilidades diante das diferentes mensagens que os cercam, e os capacitem a interagirem em seu meio social de forma a questionar e refletir sobre a realidade posta. Diante desta proposta, se torna indispensável que os professores estejam despertos para o universo lingüístico que circunda o aluno e, vale lembrar, que este cenário não é composto apenas por textos verbais, mas também de imagens carregadas de significações e conceitos interpretativos, que não devem ficar fora do ambiente de leitura da sala de aula.
Na escola, a leitura da imagem deverá ocupar o seu lugar no currículo, pois ela compõe um universo de linguagem e possui a sua natureza comunicativa que, muitas vezes, confirmam ou condenam os discursos elaborados através dos textos verbais.
Existem muitas maneiras de se trabalhar com a imagem em sala de aula. Em relação à leitura da fotografia, será importante que o professor desenvolva estratégias interessantes, permitindo que o aluno  ative  seus conhecimentos prévios e comente sobre a imagem, fazendo inferências e levantando suposições.  A leitura poderá ser feita com a colaboração do professor, de forma paulatina, analisando cada detalhe em que muitas vezes passa despercebido e, também, poderá ser  pessoal, quando o leitor escolherá uma fotografia, e procurará realizar sua leitura individual e depois, comentada suas conclusões para a classe. Ao que se refere ao trabalho comparativo de um romance com algumas imagens fotográficas, o aluno poderá criar sua própria história, mediante a sua visão interpretativa. Outras propostas de trabalhar a fotografia em sala de aula poderão ser criadas e pesquisadas pelo professor.
A linguagem fotográfica
A linguagem imagética possui o seu espaço demarcado na cultura contemporânea, pois a captação da primeira impressão se refere ao visual, nesta sociedade onde as mudanças se dão cada vez mais rápido. Nesse contexto, “a imagem tem, portanto, seus próprios códigos de interação com o espectador, diversos daqueles que a palavra escrita estabelece com o seu leitor.” (Pelegrini, 2003 p. 16).
Para se compreender uma mensagem contida em uma fotografia, é preciso que o receptor conheça o contexto cultural na qual foi criada, ou seja, ela não tem o mesmo sentido para qualquer pessoa em qualquer lugar.  Sendo assim, a fotografia deixa de ser vista como verdade absoluta, e interpretável em si mesma, pois é o receptor que determinará o grau de sensibilidade que marcará a sua interpretabilidade.
A interpretação superficial e assistemática de uma fotografia não dá conta de todo o seu objeto. Não podemos encontrar o sentido da fotografia nela mesma, pois é necessário considerarmos a existência de outros elementos que fazem parte do cenário e que escapam do registro fotográfico.  Esses elementos são, por exemplo: os reflexos das luzes que surgem nos elementos concretos, o contexto de produção da imagem, e a intencionalidade do fotógrafo. “As fotografias propriamente ditas quase não têm significação nelas mesmas: seu sentido lhes é exterior, é essencialmente determinado por sua relação efetiva com o seu objeto e com sua situação de enunciação” ( DUBOIS, 1993, p. 52 ).     
A fotografia é um signo do campo das linguagens, sendo assim não deixa de ser um instrumento ideológico, estando sujeito a várias formas de avaliação. Como signo, ela remete a algo ou a alguma idéia que está externa a ele. Desse modo, não se pode aceitar uma foto como representante fiel da realidade, atribuindo-lhe uma única verdade absoluta, conforme já mencionamos anteriormente, muito embora, em alguns contextos, ela pode ser vista como analogia do real, o que possibilitará que sirva como um importante recurso de leitura em sala de aula. segundo Santaella (1997 apud Santaella, 1985, p. 163)

Como qualquer outro tipo de imagem, a fotografia é um signo, sendo, portanto, a sua referência àquilo que está fora dela e que ela registra, um duplo. Qualquer signo, por sua própria natureza, na sua relação com aquilo que é por ele indicado ou que está nele representado, é um duplo. Só pode funcionar como signo porque representa, substitui, registra, está no lugar de alguma outra coisa que não é ele próprio, daí ser necessariamente um duplo.  
 

Na escola, o aluno poderá abstrair sua mensagem e compreender que a fotografia, assim como o texto verbal, também  poderá ser lida. Cabe ao interlocutor, desenvolver um olhar crítico frente à mensagem fotográfica, analisar com cautela o seu referente e está atento para o seu contexto social, histórico, cultural e político.
À medida que as sociedades mudam de forma dinâmica e inesperada, confirma-se a importância do registro fotográfico. Este objeto se torna uma relevante fonte de leitura, por fazer um recorte de um tempo, em um determinado espaço, e registrar fatos, cenários e personagens reais. Nas aulas de leitura um novo olhar poderá ser aguçado para os problemas sociais através das imagens. Assim como o texto escrito está à disposição para ser analisado e interpretado e o sujeito tem a liberdade de concordar ou não com o que está posto, fazendo inferência e levantando questionamento, desvendando as suas ideologias subjacentes, a fotografia também poderá participar deste campo de estudos, para o desenvolvimento da percepção do leitor. 

LEITURA IMAGÉTICA EM VIDAS SECAS
Capítulo 1

Mudança



Capítulo 2 
Fabiano

Capítulo 3

Cadeia




Capítulo 4
Sinha Vitória


Capítulo 5
O menino mais novo




Capitulo 6 
O menino mais velho
Capítulo 7
Inverno
Capitulo 8
Festa

Capítulo 9
 Baleia
Capítulo 10
Contas


Capitulo 11  
O Soldado amarelo
Capítulo 12
O mundo cobertos de penas
Capitulo 13
 Fuga


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O romance Vidas Secas possui uma magnífica descrição visual de seus personagens, cenários, e da miséria vivenciada pela família de Fabiano. Embora sendo uma história de ficção, podemos perceber que ela se repete em muitas regiões nordestinas, desta vez com personagens reais. Na obra, Graciliano Ramos faz uma denúncia social, apresentando o descaso e a indiferença ao ser humano, através da família do vaqueiro e do cenário inabitável do sertão.
Hoje, com a realidade da seca, da fome e da pobreza, surgem muitos Fabianos, muitos meninos sem expectativas de futuro, muitas Sinhás Vitória com seus sonhos despedaçados. Na maioria das vezes as pessoas fecham seus olhos para não enxergar este cenário verdadeiro, que está do lado avesso do consumo e do progresso, vivenciado por uma parcela indiferente da sociedade.
A narrativa do romance, elaborado por uma ação lingüística que segue uma seqüência lógica e coerente em um determinado tempo e espaço, está organizada sob um enredo composto por fatos, que apesar de serem fictícios, apresentam uma verossimilhança com o real. Esta narrativa poderá ser transposta para a imagem fotográfica, que por sua vez auxiliará para dar vida ao espaço, capturando a realidade visual. A imagem fotográfica se aproxima da linguagem verbal com uma nova proposta de organizar a história narrada, proporcionando um intercâmbio entre o que se vê e aquilo que se escreve.
O leitor precisa compreender que existem várias possibilidades de leitura e a escola deve despertar em seus alunos, um olhar crítico frente a estas  questões. A fotografia é uma riquíssima fonte interpretativa que deveria ser mais trabalhada em sala de aula como recurso pedagógico. Ela leva a vida real até a sala de aula. Sendo assim, tendo contato com a imagem, o aluno visualizará o cenário verdadeiro das relações sociais. Em se tratando da problemática social, retratada em Vidas Secas, se torna um casamento perfeito o encontro da linguagem verbal e da linguagem não verbal.
Após este estudo comparativo entre a linguagem do texto verbal, presente nas páginas do romance Vidas Secas, e as fotografias previamente selecionadas, conclui-se que se torna possível uma aproximação entre estas duas linguagens e que há a possibilidade de leitura do texto imagético.
Diante de fotografias significativas, como as apresentadas neste artigo, é possível uma reflexão sobre a problemática do cenário nordestino. Conclui-se, também que este objeto em sala de aula poderá servir como instrumento de denúncia social, e representará a fala de muitas pessoas que vivem tal qual a família do vaqueiro Fabiano. Assim, o leitor terá a sensação de ouvir o grito de socorro de homens, mulheres e crianças, que gostariam de sair do anonimato e ser tratados como gente.
Ao contemplar as fotos analisadas, o leitor poderá ver em cada olhar a falta de sonhos, em cada  face a temperatura do sol causticante que racha a pele, nos pés sujos e descalços o cansaço de caminhar pelas estradas secas do sertão. Assim, quando o leitor se depara com uma fotografia significativa, para se obter uma leitura mais profunda, é necessário observar os detalhes e deixar aflorar seu conhecimento de mundo e seus sentimentos.
Foi possível estabelecer uma relação entre o texto verbal e o não verbal por meio da fotografia. Como resultado deste trabalho, onde duas linguagens foram analisadas, verifica-se que ambas denunciam a problemática social da miséria proposta por Graciliano Ramos. As fotografias selecionadas neste presente trabalho foram organizadas na mesma seqüência do romance, a fim de apresentar uma narrativa significativa, representando o tema de cada capítulo, culminando com a denúncia social causada pela seca.
Diante desta proposta, o professor em sala de aula poderá levantar com seus alunos alguns questionamentos sobre a situação de pobreza e miséria vivida pela grande maioria das pessoas que habitam o sertão.
Finalmente, o que importa nesta reflexão, que busca aproximar as duas linguagens, não é valorizar a imagem fotográfica mais do que o texto verbal, não é propor uma substituição, nas escolas do texto escrito para o texto visual. Mas sim, sugerir aos educadores que proporcionem aos seus alunos outra maneira de ver o mundo e refletir sobre o mesmo. Nas aulas de leitura, o professor, juntamente com seus alunos, poderá desvendar os discursos subjacentes na fotografia, realizando diferentes leituras interpretativas e estabelecendo relações de comunicação com a imagem.

                                                       
       REFERÊNCIAS
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< http://www.flickriver.com/photos/tags>.Acessado em 30 set 2010.
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DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros ensaios. Tradução: Marina Appenzeller. Campinas: Papirus 1993.

FREITAS, Betto. Disponível em:< http://www.musicamiga.blogspot > Acessado em 08 out. 2010.
KOCK, Ingedore Villaça & ELLAS, Vanda Maria. Ler e compreender os sentidos do texto. 2ª Ed. São Paulo: Contexto, 2007.

LUCIMARA, Tavares. Língua Portuguesa. Disponível em:

MASCARENHAS, Diego. Baleia. Disponível em:
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Notícias. 2010. Disponível em: < http://www.alagoa24horas.com.br> Acessado em 08 out. 2010.
O Sertão. Disponível em:< http://www.in.di.gestao.blogspot.com > Acessado em 30 set 2010.
PELLEGRINI, Tânia. et al. Literatura, cinema e televisão. São Paulo: Senac 2003.
PÓLVORA, Hélio. Graciliano Ramos. Disponível em: <www.vidaslusofonas.pt/graciliano_ramos.htm>. Acesso em: 29 de set. de 2010.

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas; 106ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

SANTAELLA, Lucia e NÖTH, Winfried.   Imagem, Cognição semiótica mídia. 4ª Ed. São Paulo: Iluminares 1997.

TEIXEIRA, Evandro. Ruínas da Igreja Velha de Canudos, açude Corobobo <http://www.evandroteixeira.net > Acessado em: 08 out. 2010
TEIXEIRA, Evandro. Canudos. Disponível em: < http://www.fflch.usp.br> Acessado  em: 30 set. 2010.